Palavras soltas

Há momentos em que perdemos a nossa identidade,

não sabemos onde deixámos o sorriso, não sabemos onde ficou aquela sede de criança de viver e explorar, o mundo e os relacionamentos, com entrega e sem medo.


Por vezes na nossa vida, ou diria que quase sempre, experienciamos o trauma e perdemos uma parte de nós,

esse pedaço de nós fica num lugar fundo e nem sempre conseguimos resgatá-lo de novo, mas quando conseguimos, parte da nossa jornada começa a brilhar de novo.


Para todos aqueles que estão um pouco afastados de si mesmos, permitam-se à solidão. Permitam-se ter momentos apenas convosco, para sentir, chorar, dançar, libertar ou apenas estar. Permitam-se sentir e ouvir o que solidão tem para mostrar, em pequenos momentos, mesmo que doa um pouco. Deixem cair as máscaras, sintam as dúvidas, a estrada que outrora foi definida e que agora já não serve. Permitam-se ter tempo de encontro com a floresta, o mar, a montanha, o rio.


A natureza traz um subtil magnetismo, um caminho, uma demanda e quando nos rendemos a ele a nossa vida segue o chamado “destino”, damos passos sem saber e seguimos. Se existe um caminho certo não somos nós que o conseguimos definir, somos demasiado pequenos e inconstantes, há uma linha, mais fina, mais certa, mais definida, sem cor, nem cheiro que atravessa a nossa teia e redesenha os nossos passos. Liberta tudo o que está na mente e sente cada pulsar, do teu coração, como diria um amigo, escuta o teu “gut feeling”, e entrega tudo. Não esperes resultados de nada. E viaja ao sabor.


Porque há muito mais beleza na rendição, no desapego, na entrega do que em qualquer pedaço de tema que queiras controlar. E aí a vida é crua, dura, suave, linda, fria, quente e nua. E aí não há medo, há intento e coesão com cada passo e cada momento que ela nos faz experiênciar. E nesse baloiço de cima e baixo, viver tornar-se a experiência mais eloquente e apaixonante do nosso coração.

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